quarta-feira, 13 de maio de 2009

‘Não basta salvar a nós, indígenas; mas, toda a humanidade e toda a criação’


IHU - Unisinos *
Adital - "Em seu caráter de indígena, nossa teologia se converteu em trincheira para defender nossa identidade mais profunda e em possível ameaça para a nova teologia trazida da Europa, que a atacou persistentemente; e, por isso, ela se fez clandestina, se mascarou ou se sintetizou com a perspectiva religiosa prevalente, a fim de conseguir sobreviver." A explicação é Eleazar López Hernández, indígena mexicano, com trinta anos de sacerdócio na diocese de Tehuantepec. Em entrevista concedida por e-mail a IHU On-Line, mostra a importância da Teologia Índia no sentido de resgatar valores adormecidos pela sociedade atual e afirma que ao longo dos anos, a "teologia indígena teve que aprender a ajustar-se às possibilidades que dava o contexto social e eclesial de cada momento".
A defesa de seus costumes, da maneira particular de ver vida e se relacionar com Deus, não significa que a entrada dos índios na Igreja "tenha sido somente uma simulação ou um mecanismo de sobrevivência", assegura. A conversão dos indígenas em cristãos "não implicou uma ruptura com nosso processo anterior de busca de Deus, senão sua afirmação, fortalecimento e plenificação", assinala. E prossegue: "Desde o princípio ficou muito claro para nós que o Deus de nossos pais e avós (Ipalnemohuani = O que nos dá a vida; e os muitos outros nomes de Deus que eles usavam aqui) é o mesmo Deus de nosso Senhor Jesus Cristo".
A partir do momento em que a consciência ecológica ganhar dimensão e destaque na humanidade, a Teologia Índia vai desenvolver um trabalho importante no sentido de "deter a agressão brutal que a economia capitalista realiza sobre a terra, tornando-a sustentável". E projeta: "assim poderemos sonhar entre todos(a)s que ‘outro mundo é possível’".
Eleazar López Hernández nasceu em Juchitán, Oaxaca, México, e é descendente de uma família indígena zapopteca. Ingressou no seminário em 1961 e formou-se em Filosofia e Teologia. Também participou do primeiro curso de pastoral indigenista em Caracas, da primeira Conferência dos povos indígenas, em 1975, em Vancouver, da contribuição indígena para o Encontro de Puebla e de Santo Domingo, como conselheiro. Atualmente, trabalha no Centro de Auxílio às Missões Indígenas, participa da Associação Ecumênica dos Teólogos do Terceiro Mundo e da equipe teológica Ameríndia.
Confira a entrevista.
IHU On-Line - No III Simpósio latino-americano de Teologia indígena, organizado pelo Celan em 2006, foi abordada a Cristologia indígena. Quais são as referências cristológicas para falar de Cristologia indígena?
Eleazar López Hernández - Quando falamos de "cristologia indígena", consideramos duas vertentes de reflexão:
a) A recepção inculturada que fizemos nós indígenas da evangelização cristológica, feita pelos primeiros missionários;
b) A elaboração teológica indígena a partir das Sementes do Verbo plantadas por Deus na história e nas culturas de nossos povos antes da primeira evangelização. Encontramos estas sementes plasmadas em suas tradições mais antigas.
Na primeira vertente, nós, indígenas, captamos que, apesar do inadequado da primeira evangelização que nos chegou unida ao projeto colonizador, a Igreja era portadora de uma proposta valiosa e digna de ser assumida. Por isso, nosso(a)s avós se converteram a Cristo e o assentaram na esteira de nossa busca de Deus. Mas, por aquele dito de que "quidquid recipitur ad modum recipientis recipitur", nós, indígenas, usamos nossas categorias teológicas anteriores para entender e viver a fé cristã; e, neste sentido, incorporamos Cristo em nossa cultura, indigenizando-o; nós o inculturamos em nossos esquemas, revestindo-o com nossos trajes tradicionais. Em outras palavras, nós o recebemos em nossas malocas e em nossas casas culturais. E é isto que mostramos ao falar agora de cristologia indígena.
Porém, não só permanecemos aí como se tudo o que se refere a Cristo viesse de fora; também remexemos em nossa história e em nossos cântaros milenares para encontrá-lo existindo no meio de nós. Assim, na segunda vertente, detectamos as "Sementes do Verbo" que pré-existiam, antes da chegada da Igreja, em nossas culturas e as explicamos hoje para mostrar que Deus sempre nos acompanhou e nos manifestou seu amor de Mãe-Pai. Essas sementes são a prova da presença entre nós do Verbo, "que ilumina todo homem que vem a este mundo" e se manifesta na sabedoria milenar de nossos povos (encerrada nos mitos e ritos) e nas pessoas históricas (como Quetzalcóat), que viveram profundamente as idéias ou utopias que animaram nosso longo caminhar. Esta é a cristologia feita a partir de nossa história da salvação, que levamos com prazer aos demais irmãos na fé e que não tem por que inimizar-se com a cristologia oficial. Nós a encontramos na vivência da religiosidade popular indígena e mestiça como um conteúdo teológico e cristológico impressionante que se expressa nos nomes e atributos que damos a Cristo. Esta nomenclatura teológica já está sendo sistematizada por irmãs e irmãos indígenas.
IHU On-Line - Como a teologia Índia se move e se condiciona dentro dos espaços eclesiais e aí se reproduzem?
Eleazar López Hernández - A teologia dos primeiros povoadores deste continente existe desde que nossos povos fizeram sua aparição nestas terras, pois Deus tem sido a razão de ser e o garante de nossa vida desenvolvida aqui em milhares de anos. Nossa teologia nativa foi feita "indígena" quando os europeus impuseram, com o descobrimento e a colonização, essa categoria social à realidade dos povoadores nativos. Em seu caráter de indígena, nossa teologia se converteu em trincheira para defender nossa identidade mais profunda e em possível ameaça para a nova teologia trazida da Europa, que a atacou persistentemente; e por isso ela se fez clandestina, se mascarou ou se sintetizou com a perspectiva religiosa prevalente, a fim de conseguir sobreviver. A religiosidade popular foi o espaço privilegiado de sua reprodução durante estes últimos 500 anos.
Neste sentido, a teologia indígena precisou aprender a ajustar-se às possibilidades que dava o contexto social e eclesial de cada momento. Quando houve boa disposição de aceitá-la, ela se manifestou abertamente; e, quando houve recusa, se refugiou nas covas e nas montanhas.
Esta atitude indígena de defender, inclusive ante a Igreja, nossa maneira particular de ver a vida e de relacionar-nos com Deus não significa que nossa entrada na Igreja tenha sido somente uma simulação ou um mecanismo de sobrevivência. As religiosas, os sacerdotes e os diáconos indígenas de hoje cremos que, apesar das sombras e dos espinhos da ação missioneira da Igreja, houve em nossos(as) avós uma autêntica conversão da mente e do coração a Cristo e ao seu projeto de vida. Só que esta conversão não implicou uma ruptura com nosso processo anterior de busca de Deus, senão sua afirmação, fortalecimento e plenificação. Desde o princípio, ficou muito claro para nós que o Deus de nossos pais e avós (Ipalnemohuani = O que nos dá a vida; e os muitos outros nomes de Deus que eles usavam aqui) é o mesmo Deus de nosso Senhor Jesus Cristo. É o que está inserido na narração da Virgem de Guadalupe no México. Não temos por que assumir um eliminando o outro, senão fazendo que ambos se abracem porque são o único Deus verdadeiro.
IHU On-Line - Em que sentido a teologia indígena nos ajuda a repensar a organização social e política da sociedade e do mundo, no sentido de respeitar as diversidades, a interculturalidade e o meio ambiente?
Eleazar López Hernández - A teologia indígena de hoje forma parte da vida e da luta dos "povos originários" deste continente, e está unida à cultura e história destes povos. Não é somente uma palavra sobre Deus, senão uma proposta ampla sobre a totalidade da vida, na qual Deus está profundamente involucrado. Para entender esta teologia, é preciso tomar em conta o modo pelo qual nós indígenas olhamos não só Deus, senão também a sociedade e a inteira criação.
É aí que nós, indígenas, podemos ajudar a superar a crise que se abate atualmente sobre a humanidade. Frente ao individualismo que isola e faz de cada pessoa um lobo para os demais ("homo homini lúpus"), nós, indígenas, resgatamos o valor da família humana e da comunidade como poder solidário, que nos torna capazes de superar qualquer problema; frente ao lucro capitalista, enfatizamos o valor do serviço e da gratuidade; ante a pressão uniformizante da globalização neoliberal, professamos a aceitação da diversidade como riqueza humana e impulsionamos a harmonização do conjunto mediante o diálogo intercultural e inter-religioso como mecanismo eficaz de solução de conflitos e de colaboração solidária.
Frente à depredação do meio ambiente para gerar rápidos ganhos, propomos a colaboração amorosa e respeitosa com a Mãe Terra como fonte de vida para todo(a)s; frente ao consumismo esbanjador impulsionado pelo mercado, assinalamos a austeridade como única maneira do bom viver sem danificar o meio ambiente. Estas propostas não são belas teorias que lançamos para ver quem as quer vivenciar, mas práticas cotidianas em muitas das comunidades indígenas até o dia de hoje.
IHU On-Line - A luta indigenista apareceu com mais força na Bolívia, no Brasil, no Paraguai. Quais as articulações que favoreceram essas lutas sociais? Que outras ações se deveriam praticar neste sentido?
Eleazar López Hernández - Certamente, depois de uma letargia de séculos, os povos indígenas despertaram para continuar novamente sua caminhada. Presenciamos agora a ressurreição do índio. A Bolívia é, desde logo, a melhor expressão da pujança deste despertar, pois aí os povos indígenas e camponeses sacudiram o jugo de uma minoria não indígena que os dominava e se deram um presidente de seu próprio sangue e cultura. Porém, a luta indígena se dá em todo o continente sob formas muito variadas e com resultados diferentes: Equador, Brasil, Paraguai, Chile Guatemala, México etc. Setores importantes das igrejas cristãs tiveram de ver com este despertar por seu acompanhamento pastoral; também lutadores sociais que se acercaram dos indígenas contribuíram com recursos e assessorias diligentes; porém, sobretudo são os próprios indígenas que tomaram consciência de sua dignidade, de seus direitos e do valor de sua palavra nestes tempos de crise. Chegamos à conclusão, como o expressam acertadamente os maias, que um novo horizonte de vida se vislumbra por trás das montanhas; ou, como dizem os andinos, o pachakutic está chegando. Chegou o tempo de preparar-nos e de preparar a terra para uma nova semente de vida.
Hoje, mais do que nunca, existem redes e articulações de movimentos indígenas que compartilham saberes e experiências de nossa luta pelos quatro cantos do continente; e estão se dando a mão para seguir em frente. O protagonismo indígena cresceu tanto que no momento atual os acompanhantes não indígenas seguem sendo importantes, embora não sejam indispensáveis para o futuro do processo.
IHU On-Line - Grande parte da população mundial vive em zona urbana. Somente no Brasil, mais de 805 vivem em cidades. Como sensibilizar essas populações sobre a importância do cuidado com a terra? Você vislumbra um cuidado maior com a terra no contexto da América Latina?
Eleazar López Hernández - É uma verdade inquestionável que a população mundial está se movendo em direção às cidades. Também o povo indígena avança para as cidades. Em vários países só estão permanecendo, nos territórios indígenas tradicionais, menos de 50% dos membros das comunidades (mulheres, anciãos e crianças). Porém, isso não significa que se perde o amor e o cuidado da terra. Em vários países, como no México, os que migram, especialmente aos Estados Unidos, normalmente retornam depois de um tempo não muito longo de trabalho, ou enviam grande parte do que ganham, para sustentar suas famílias e também para obras e serviços comunitários. Desta maneira, muitas comunidades se renovam e melhoram sua infraestrutura (prédios municipais, igrejas, escolas).
Nestes tempos está se dando um fenômeno inverso ao que se deu na época colonial, em que se obrigou a nós indígenas a reduzirmos os pequenos espaços das zonas nas quais nos encurralaram. Agora saímos dessas áreas de reserva e de refúgio para colocar-nos no amplo mundo da globalização, recuperando os espaços antes perdidos e aprendendo a interagir na globalização com outros povos e culturas, sem perder nossos valores e nossa proposta de vida. E aí vamos descobrindo que nossa palavra também é válida e valiosa para outros seres humanos que entendem e assumem que juntos vamos pelo menos caminho da terra, nossa mãe e casa grande de todo(a)s. Desta maneira, nossa luta se ampliou, unindo-se a outras lutas de irmãos/irmãs na dor e na esperança.
Por exemplo, os zapotecas do Istmo de Tehauntepec, no sul do México, ao migrar às cidades do norte, nos demos conta que nosso amor à terra ("layú") não se reduz à luta por nossos direitos territoriais, senão que inclui também a grande luta pelos direitos da Mãe Terra ("Guidxilayú"), que abriga por igual a seus filho(a)s indígenas, negro(a)s, branco(a)s, amarelo(a)s. E assim, junto com outros seres humanos chegamos à conclusão de que não basta salvar a nós indígenas; é preciso salvar toda a humanidade e toda a criação. Neste sentido, vislumbro no futuro que, na medida em que esta consciência ecológica fundamental, que está no pensamento e na teologia indígena ancestral, se transmitir por contágio aos demais, será factível deter a agressão brutal que a economia capitalista realiza sobre a terra, tornando-a sustentável; e assim poderemos sonhar entre todo(a)s que "outro mundo é possível", tal como se proclama nos Fóruns Sociais Mundiais. O modelo capitalista já não tem alternativas de vida ante as crises cada vez mais recorrentes que lhe sobrevêm. Faz falta um novo modelo de vida, mais humano, mais ecológico e mais divino. Nós, indígenas, temos muito que aportar a esse respeito.
IHU On-Line - Quais são os desafios da teologia indígena na América Latina?
Eleazar López Hernández - Desafios da modernidade neoliberal. O maior desafio que se apresenta não só à teologia indígena como tal, mas também aos povos indígenas, é a ameaça de extinção que pesa sobre nós e sobre nossas culturas por causa do modelo atual de sociedade que avança sobre o que resta de nossos territórios, de nossos recursos naturais e inclusive de nossos saberes ancestrais. Como impedir que sucumbamos ante a violência dos mega projetos viários, turísticos, mineralógicos, de produção energética, de biocombustíveis? Como manter nossa vida cultural e espiritual, quando, por causa da migração forçada já fomos movidos a terras estranhas?
Desafios das próprias comunidades indígenas. O impacto da modernidade no mundo indígena está causando um enorme abismo entre os mais idosos e as novas gerações. Os mais velhos já não encontram nos jovens o mesmo eco que antes existia para assegurar no futuro a continuidade das tradições; isso devido principalmente à educação alienante que esses jovens recebem das escolas oficiais e devido aos "valores" que transmitem os meios de comunicação. Isso se agrava com o afastamento destes jovens em relação às suas comunidades, por causa da migração. Se não encontrarmos maneiras de resolver satisfatoriamente este problema, entusiasmando as novas gerações indígenas por sua cultura e espiritualidade, pode dar-se a extinção indígena mediante a desintegração das comunidades que são as verdadeiras depositárias e garantes da reprodução cultural e religiosa.
Porém, precisamente por este desafio tão extremo, muitos irmãos e irmãs estão realizando processos interessantes de reformulação cultural e religiosa, exatamente como sucedeu na antiguidade, quando passamos de ser nômades a sedentários e daí nos guindamos às altas civilizações. E nisso também está havendo muita criatividade e entusiasmo entre as novas gerações. A teologia indígena está se recriando nos novos contextos de hoje, resgatando mais do que a terra, o espírito dos mitos e dos ritos; e envolvendo-se nas atuais lutas de nossos povos pela vida digna, pelos próprios direitos e pela autonomia.
IHU On-Line - Como a teologia indígena se ajusta à conjuntura atual?
Eleazar López Hernández - A teologia indígena atual não é mera repetição de mitos e ritos do passado, como uma tradição que se vai tornando cada vez mais obsoleta; senão uma utilização das ferramentas e das luzes do passado para entender o presente e para construir futuros dignos de serem vividos. A teologia indígena de nossos tempos é necessariamente resultado de ajustes da experiência de Deus que fazem nossos povos e de nossa sabedoria religiosa às conjunturas cambiantes. Ao responder aos desafios de hoje, damos razão e testemunho da esperança que nos anima a seguir lutando como o fizeram nossos antepassados. Mais que um conteúdo teológico fixo, que mantemos contra o vento e a maré, a teologia indígena é um olhar de fé com o qual nos atrevemos a enfrentar as vicissitudes da história que nos toca viver em cada momento.
IHU On-Line - Quais foram os ganhos e as limitações em usar o termo "Teologia indígena" na V Conferência em Aparecida? Quais são os ganhos e perdas dos indígenas em Aparecida?
Eleazar López Hernández - A Teologia indígena ganhou muito em Aparecida. Jogamos na cancha da V Conferência do Episcopado latino-americano e fizemos vários gols, embora também tenham feito alguns contra nós. Como já expressei no balanço que fiz desta Conferência: "Muitas coisas nós, indígenas, conseguimos em Aparecida e que já foram assinaladas: em primeiro lugar, estivemos física e moralmente em Aparecida, através de vários indígenas delegados oficiais de suas Conferências; através de bispos defensores da causa indígena, de teólogas e teólogos solidários da Ameríndia; através de irmãs e irmãos indígenas que expressaram sua voz fora da Assembléia por diversos meios e obtiveram impacto em muitos bispos. A presença indígena foi evidentemente notória e significativa".
"Os inimigos da causa indígena não conseguiram calar-nos nem condenar-nos, embora houvesse intentos de fazê-lo. Todo o contrário: obtivemos simpatia, aproximação e diálogo em Aparecida. Pouco a pouco fomos oferecendo, como Juan Diego, nossas flores cortadas no Tepeyac, e pudemos fazer que teólogos e bispos de Aparecida fossem se sensibilizando e abrindo para nossa causa. Com o auxílio de teólogas e teólogos amigos elaboramos aportes e modos indígenas, solidamente fundamentados e adequadamente expressos, que circularam exaustivamente nas mesas de debate. Todos tiveram acesso à palavra e à perspectiva indígena e a tomaram em conta para suas decisões. Não é fruto da causalidade que no final houvesse um amplo eco da voz indígena na Conferência. Por este esforço coordenado dos de dentro com os de fora se alcançou que praticamente todas as propostas da Pastoral indígena latino-americana recebessem o aval e fossem incorporados no documento final, embora alguns tenham sido matizados."
Em relação ao que não ganhamos, reconhecemos que a única perda em Aparecida foi a não oficialização do termo Teologia indígena no Magistério da Igreja. O manejo que se deu do borrador do documento conclusivo e as votações que se fizeram para aprová-lo não nos favoreceram por uma margem muito pequena; e este resultado ligeiramente adverso foi possível apesar da oposição explícita do responsável da Congregação para a Doutrina da Fé.
Por isso, no final, um bispo do Panamá comentou: de que outra oficialização necessitamos, se o próprio Papa Bento XVI usou sem matizações o termo "teologia indígena" em cartas dirigidas ao Celam, indicando-lhe que leve a cabo um processo de discernimento para clarificar os pontos nevrálgicos que ainda existem na Teologia indígena? Se a mais alta autoridade da Igreja usou o termo Teologia indígena, que mais faz falta para oficializá-lo na Igreja?
Outros bispos acrescentaram: Que bom que não a oficializaram, pois assim a Teologia indígena pode seguir caminhando na liberdade dos filhos de Deus.
IHU On-Line - O senhor diz que a teologia indígena vive um novo momento. Como as promessas e esperanças se confrontam com temores e incertezas nessa trajetória?
Eleazar López Hernández - As ‘promessas e esperanças’ em relação à Teologia indígena, nós as temos majoritariamente do lado das comunidades crentes do mundo indígena; os ‘temores e incertezas’ se localizam especialmente do lado dos que tutelam a ortodoxia da instituição eclesiástica. Porém, não nos paralisam os temores e incertezas; pelo contrário: são acicates para avançar no diálogo. Na medida em que os adversários da teologia indígena nos apresentem mais claramente suas dúvidas e questionamentos, mais podemos ajudar a clarificá-los. É o que tem sucedido nos simpósios e oficinas de Teologia indígena organizados pelo Celam. Também nisso estamos aprendendo a interagir com a diversidade teológica que existe na Igreja.
IHU On-Line - Qual é o futuro dessa teologia dentro e fora da Igreja?
Eleazar López Hernández - Desde logo fora da Igreja, a teologia indígena está tendo muita ressonância. Os movimentos indígenas atuais acodem cada vez mais a esta teologia para afiançar seus passos na luta; porque ela é sua maior força.
Dentro da Igreja, a repercussão também é ampla. Muitos bispos de Igrejas particulares com população indígena a estão assumindo explicitamente em seus planos pastorais e na formação de seus agentes; também várias congregações religiosas a tomam em conta para seus projetos de formação, de vida comunitária e de ação missioneira; teólogo(a)s de diversas associações teológicas começam a incorporá-la em suas análises e colocações.
O fato de que tenha havido um espaço tão grande nos debates de Aparecida é sinal de que a Teologia indígena está impactando positivamente no interior da Igreja, não só em nível particular, mas também nível universal, envolvendo suas mais altas autoridades. Poucas teologias obtiveram isso em tão pouco tempo. Mas, o mais importante é que nós indígenas, que estamos dentro da Igreja, a estamos assumindo de maneira cada vez mais lúcida e consciente. E isto, do meu ponto de vista, já não terá marcha atrás.

* Instituto Humanitas Unisinos

quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Quando uma amizade dá certo um dos amigos é o próprio Deus!"



Muitas vezes me interrogo sobre o verdadeiro significado da amizade. O que é ser-se amigo de alguém? Uma pesquisa na Internet trouxe-me a seguinte explicação, alojada num site brasileiro: "Amizade", termo originário do latim "amicitate", tem por significado sentimento fiel de afeição, estima ou ternura entre pessoas unidas por laços de família ou vinculação de carácter exclusivamente social, benevolência, estima, entendimento. Num dicionário de Português on-line pude ler: “afeição; amor; boas relações; laço cordial entre duas ou mais entidades; dedicação; benevolência. ”
Confesso que estas definições, apesar de à primeira vista dizerem quase tudo, não dizem nada. Falta-lhes o essencial, i.e., dizer exactamente o que é ser-se amigo de alguém. É o que irei procurar fazer.
Para começar, desconfio sempre de quem me trata por «Meu amigo». Ser-se amigo carece de verbalização. Quem isto diz não é meu e muito menos amigo também. A amizade não se «apregoa», pratica-se. Uma outra atitude que me põe de pé atrás são as palmadinhas nas costas. Tenho sempre a impressão que me estão a dar um «empurrãozinho» para me «atirar» para o precipício. Apetece-me glosar e dizer "Pode ser gente, [ mas amigo] não é certamente porque um amigo não bate assim."
Um amigo é aquele que nos confronta com a nossa «condição humana», com as nossas virtudes e «misérias». E que não se coíbe de nos dar uma palmada nos dedos se entende que isso é imprescindível para podermos arrepiar caminho. Custa sempre levar um soco no peito, mas o verdadeiro amigo não hesita se entende que é necessário para nos chamar à razão. Por vezes, caímos na tentação da cegueira e perguntamo-nos: Como é possível ouvir isto de fulano/ fulana tal? Que grande amigo/ amiga… Mas, passada essa vertigem narcísica, caímos em nós. E acabamos sempre por entender que os amigos devem e podem ser duros connosco.
Ser-se amigo é também rir e encantar-se na alegria e dar o ombro quando a tristeza nos aperta o coração e o muro nos parece intransponível. É lembrar-se do nosso dia de anos, do natal, de uma data especial, de telefonar, de enviar um e-mail, de dizer apenas: «Estou aqui.» É estar-se bem com. É ter alguém para nos escutar, para ir ao futebol, para beber um café e ler o jornal, para passear ao longo da praia da vida. É saber que se tropeçarmos há alguém que está lá para nos amparar.
Um amigo é leal. Jamais nos atraiçoa. Mesmo que isso lhe cause dissabores, mesmo que isso implique sacrifícios pessoais, quando seria mais fácil remeter-se ao silêncio e «juntar-se» à turba.
A verdadeira amizade retribui-se na mesma moeda. Podemos ter muitos conhecidos. Os amigos, porém, vão sempre contar-se pelos dedos de uma mão. Uma coisa é certa. A amizade é como um Bonsai. Precisa de cuidados diários ao longo de uma vida. Aqui reside o verdadeiro segredo para não ficarmos reduzidos à condição daquela mulher de um quadro famoso de Edward Hopper, sentada nua e só na borda da cama de um quarto de hotel, fitando o vazio. Como diz a canção, a amizade "c'est un capital coeur à la bank du temps/ Prêté sans intérêts et sans remboursement."

Fonte: http://joseboia.squarespace.com/journal/2006/7/13/amicitate.html

Supremo Ministro Joaquim Barbosa



Jorge Portugal*
Naquele 22 de abril de 2009, nenhum nobre navegante português ousaria nos “descobrir”. Descobertos fomos pelos olhos e pela voz do primeiro negro que, com altivez e coragem, no topo da nau capitânia do judiciário, admoestou o pretenso comandante.
Naquele 22 de abril de 2009, não caberia um 7 de setembro em que o filho do rei, futuro imperador do país, daria gritos de independência às margens de um riacho qualquer; ali, ouvimos o brado da liberdade e da insubmissão da voz abafada do povo, silenciada por séculos pelos donos do poder, através de sucessivos crimes de lesa-cidadania: “Respeite, ministro! Vossa Excelência não tem condições de dar lição de moral em ninguém!”
Naquele 22 de abril de 2009, nenhuma princesa “bondosa” assinaria uma vaga lei que nos concedia liberdade, mas nos cassava a condição de cidadãos, proibindo-nos o voto, a escola de qualidade e o trabalho digno; presenciamos, sim, a abolição proclamada em nossas almas, 121 anos depois, pela voz corajosa de um Luís Gama redivivo, encarnando todos os quilombos massacrados e abrindo os portões de todas as senzalas: “Vossa Excelência não está nas ruas; está na mídia destruindo a credibilidade de nossa justiça!”
Naquele 22 de abril de 2009, nenhum marechal, de pijama, ousaria proclamar república nenhuma; o pacto de poder que condenou a maioria de nossa gente a ser um povo de segunda classe viu-se desmascarado pela indignação patriótica de um João Cândido reeditado, que fez a chibata girar em movimento contrário, açoitando o lombo dos que se acostumaram a bater, por séculos a fio: “Respeite, ministro! Vossa Excelência não está falando com seus capangas do Mato Grosso!”
Naquele dia, Ogum, Xangô e Oxóssi desceram os três num corpo só e reafirmaram a presença arquetípica da África dentro de nós. Todos os movimentos aparentemente derrotados dos nossos heróis anÿnimos puseram-se de pé, vitoriosos, mesmo que não tivessem vencido uma só batalha. A Revolta dos Búzios, a Revolução dos Malês, o Quilombo dos Palmares, todos, reencenaram seus teatros de operação e puderam, séculos depois, derrotar simbolicamente o inimigo.
Naquele dia, saíram às ruas todas as escolas de samba, de jongo, todos os blocos afros; bateram os candomblés e as giras de umbanda, a procissão da Boa Morte, o Bembé do Mercado de Santo Amaro; brilharam os pequenos olhos da criança negra recém-nascida ao descortinar a luz azul de um futuro melhor.
Naquele dia, materializando todos os nossos sonhos e desejos secularmente negados, Vossa Excelência deixou de ser apenas um ministro do Supremo Tribunal Federal para tornar-se o supremo ministro de todos os brasileiros.
*Baiano de Santo Amaro da Purificação, educador, poeta, membro do Cons. Nacional de Política Cultural(transcrito da página de Opinião do jornal A Tarde de 28.4.09)

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Perder alguém querido!

Não há palavras para expressá-la.Não há livro que a descreva.Por isso, o melhor jeito de consolar é falar pouco, orar junto,sentir junto e estar presente, cada um do jeito que sabe.
Palavras não explicam a morte de alguém querido.Sabem disso o pai, a mãe, os filhos, os irmãos, o namorado e a namorada, o marido e a mulher, amigos de verdade.
Quando o outro morre, parte do mistério da vida vai com ele.A parte que fica torna-se ainda mais intrigante.
Descobrimos a relação profunda entre a vida e a morte quando alguémque era a razão, ou uma das razões, de nossa vida vai-se embora.
Para onde? Para quem? Está me ouvindo?A gente vai se ver novo? Como será o reencontro?Acabou-se para sempre, ou ela apenas foi antes?Por que agora? Por que desse jeito?
As perguntas insistem em aparecer e as respostas não aparecem claras.Dói, dói, dói e dói...
Então a gente tenta assimilar o que não se explica.Cada um do jeito que sabe.Há o que bebe, o que fuma, o que grita, o que abandona tudo,o que agride, o que chora silencioso num canto, o que chama Deus para uma briga, o que mergulha no fatalismo e o que, mesmo sem entender ou crer, aposta na fé.
Um dia nos veremos de novo... enquanto este dia não chegar,entes que eu amo sei que me ouvem e oram por mim, lá, junto de Deus.Para eles a vida tem, agora, uma outra dimensão.Alcançou o definitivo.
Quem fica perguntando e sofrendo somos nós.Mas como a vida é um riacho que logicamente deságua, a nossa vez também chegará e, quando isso acontecer, então não haverá mais lágrimas.As que aqui ficaram chorando terão a sua explicação.Por enquanto, fica apenas o mistério.Alguém que não sabemos por que nasceu de nós e por que cresceu em nós, por que entrou tão de cheio em nossa vida, fechou os olhos e foi-se embora.
Quem ama de verdade não crê que se acabou.A vida é uma só: começa aqui no tempo e continua, depois, na ausência de tempo e de limite.Alguém a quem amamos se tornou eterno.E essa pessoa já sabe quem e como Deus é.E também sabe o porquê de sua partida.Por isso, convém falar com ela e mandar recados a Deus por meio dela.
Se ela está no céu, então alguém, além de Deus, de Jesus e dos santos, se importa conosco.Definitivamente, não estamos sozinhos, por mais que doa a solidão de havê-la perdido.Mas é apenas por pouco tempo.Quem amou aqui, sem dúvida, se reencontra no infinito...


Pe. Zezinho, scjDo livro: Orar e pensar como família

quarta-feira, 26 de março de 2008


SAUDADES DE QUEM AMO...

Era o "Dominus Dei", o Dia do Senhor. o primeiro da semana. uma mulher se levanta muito cedo e vai a um sepulcro. o que a levava lá tão cedo? uma só é a resposta: SAUDADES DE QUEM AMA.
Maria Madalena estava louca de saudades de seu Mestre, o único que a amou como ela era, não perguntou seus defeitos, mas procurou ver suas qualidades.
O mesmo acontece conosco hoje. quando amamos alguém, mas amamos de verdade, somos capazes de fazer loucuras por ele. movemos o mundo pra estarmos sempre juntos e gastamos milhares de hora de internet e telefones. Viajamos quilometros e quilometros somente para darmos um abraço, ou melhor, sentir o calor, a energia, o amor que vem do outro ou da outra.
Nossos amigos, nossos amores, fazem-nos sentir pessoas melhores. Com eles sorrimos, choramos, brincamos, ou não fazemos nada e mesmo assim somos felizes. Não existe a felicidade, existem momentos felizes que geralmente passamos com alguem que amamos.
Os discipulos de Jesus foram muito felizes quando estavam com o Mestre Amado e depois continuaram pela certeza da presença Dele em todos os momentos. Não digo que não tiveram momentos tristes ou de desânimo, mas sempre Jesus os levava a sentirem-se amados e animados a continuar.
Ansiamos pela Páscoa, pela "passagem" do amor em nossas vidas, mas na verdade não queremos uma passagem, mas que ele fique e nos traga a felicidade. queremos ter pelo menos alguns momentos felizes. Hoje as pessoas não sabem mais amar e aquelas que ainda acreditam no amor são chamadas de caretas, são criticadas por aquelas que não sabem mais o valor de uma amizade verdadeira, o calor de um abraço de um amigo ou dormir nos braços de um amor. Não falo de sexo, mas de dormir mesmo, dormir sentindo o calor da pessoa que amamos e que nos ama, é esse amor que hoje não temos, um amor gratuito que nos faça bem.
Que este texto não faça você me criticar ou sentir-se só por não ter um verdadeiro amigo ou um amor, mas que ele faça você me amar, porque "Deus nos deu pessoas para amar, algumas para amar e dizer que amamos e outras para amar e cuidar."
Você a quem eu amo,
Feliz Páscoa e ame, ainda que seja a última coisa que aprendas a fazer!!!!!!!!!


P.S: Se eu fosse colocar fotos com certeza poderia deixar alguém de fora, mas você sabe que sinto saudades de você, então sinta-se abraçado por mim, e, se sinto saudades, é por que te amo!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

"O único evangelho que muitas pessoas vão ler é o nosso exemplo de vida". D. Helder


SEMANA DA CIDADANIA 2008

Aproxima-se mais uma Semana da Cidadania. Tempo de buscar de forma mais intensa a construção de alternativas para nossa sociedade. Somos convocados/as a olhar para a realidade da juventude com os mesmos sentimentos de Jesus, como nos ensina o apóstolo Paulo. Os/as discípulos missionários/as de Jesus sabem que esse seguimento exige transformação no mundo, na comunidade e na vida das pessoas. Como cristãos queremos não só convidar as pessoas a olharem para Jesus, mas antes, lançar o olhar de Jesus para a realidade e termos, como ensina São Paulo, os mesmos sentimentos de Jesus Cristo. Fazer dos sonhos Dele os nossos sonhos! Poder dizer junto com Ele “eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).Neste ano iniciamos a memória do centenário de Dom Hélder Câmara, profeta, pastor e poeta que fez esse caminho com Jesus.Viver é fazer escolhas. A Conferência de Aparecida, acontecida em maio do ano passado, e a Campanha da Fraternidade deste ano nos convidam a escolher a vida. O desafio é esse! Há caminhos que geram morte, por isso somos convocados/as a escolher e construir caminhos que geram vida!Nosso convite para esta SdC é construir ações contra o empobrecimento social que atinge a juventude, motivados pela confiança de que temos mil razões para viver!
Texto extraído do subsídio para a Semana da Cidadania

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Obrigada Ir. Dorothy!!!!!!!!!







Voltemos no tempo…
12 de março de 2005. Um dia chuvoso, onde todos preferem ficar em casa e só saem quando há uma grande necessidade. Uma pessoa em Anapu tinha, como há muitas noites, dormido preocupada. Conforme D. Erwin nos afirmou, ele tinha conversado com ela e esta lhe tinha dito que vivia o Getsêmani há alguns dias.
Ir. Dorothy Stang tinha vindo ao Brasil em missão, adotado esta terra como sua e defendido os brasileiros, sobretudo os paraenses talvez como nunca tivesse feito em seu próprio país. Lutou, gritou, visitou e confortou um povo, deu a estes a esperança que tantos querem tirar, além de quererem tirar suas terras também.
Mais uma vez ela saía para fazer algo por eles... Ela sabia do perigo, já tinha comunicado ao Estado, à Nação as ameaças que vinha sofrendo, mas ninguém se importou como deveria, aliás, eles nunca se importam mesmo.
No meio da chuva daquele dia sombrio uma bala atravessa seu corpo, assim como as dores do nosso povo tinha atravessado seu coração. Talvez você pense que eu esteja dramatizando demais, porém da mesma forma, talvez você não saiba o que é ser expulso da sua própria terra, talvez você não saiba o que é amar a floresta e vê-la tombar diariamente. Talvez você não saiba... Existem tantas coisas que talvez você não saiba.
Ir. Dorothy estava morta. Ir. Dorothy estava morta? Fisicamente sim, os fazendeiros tinham calado a sua própria boca, mas ficava um grito que ela espalhou e por coincidência ou não, estava estampado na camiseta manchada de sangue: “A MORTE DA FLORESTA É O FIM DA NOSSAVIDA!”. Ela estava lá, deitada de bruços no chão que ela tanto defendeu. Um corpo inerte, sem vida, mas o sangue que saía do seu corpo começou a penetrar o chão, começou a manchar o chão e vozes começaram a ecoar: “O SANGUE DE DOROTHY LAVOU A TERRA!”. O sangue de Dorothy fez os gritos se levantarem e ecoarem, se os fazendeiros pensaram que a tinham calado, se enganaram porque quando eles lhe ceifaram a vida, foi aí que ela gritou mais alto, foi aí que outros gritos ecoaram de norte a sul do país, do mundo. QUEREMOS JUSTIÇA!!!Obrigada Ir. Dorothy, Pe. Josimo, Ir. Adelaide, Chico Mendes, Dezinho, Brasília, Sepé Tiaraju, Pe. Rodolfo, Índio Simão Bororo, Vilmar de Castro, Cleuza, Paulo Fontelles, João Batista, Margarida Maria Alves, Anaildo, Quintino, Rejane Guimarães, Os 19 trabalhadores assassinados na curva do “S” em Eldorado dos Carajás e as vitimas da violência urbana: Marcelo Magno, Nirvana, Gustavo Russo, Lílian Obalsci, Núbia, Priscilla, os meninos do Guamá e tantos e tantos outros assassinados diariamente. Assim como Deus disse a Caim que o sangue de Abel clamava por justiça, assim também o sangue de cada um de vocês sobe do chão e vai até os céus clamando por justiça. Chega de impunidade, para trás das grades todos aqueles que tiram a vida de tantas pessoas, que ceifam a alegria de tanta gente, pois não somente morrem os que são tirados a vida física, mas também morrem junto os seus familiares, morre junto a sua alegria de viver. As lágrimas derramadas hoje, na frente daquele prédio chamado Tribunal de Justiça do Estado do Pará, que também pode ser chamado de Tribunal da Impunidade, lavem a nossa tristeza e nos dê força para, enquanto não nos tirarem a vida, clamemos, gritemos por justiça neste chão.

Oração Latina

“Esta nova oração
É uma canção de vida
Pelo sangue da ferida no chão
Que não cicatrizará
Nem tampouco deixará de abrir
A rosa em nosso coração
E diga sim
A quem nos quer abraçar
Mas se for pra enganar
Diga não
Êêê...Êia! Com as bandeiras na rua
Ninguém pode nos calar
E quem nos ajudará
A não ser a própria gente
Pois hoje não se consente esperar.
Somente a rosa e o punhal,
Somente o punhal e a rosa
Poderão fazer a luz do sol brilhar.
E diga sim
A quem nos quer acolher
Mas se for pra nos prender
Diga não
Ninguém vai ser torturado
Com vontade de lutar
Ninguém vai ser torturado
Com vontade de lutar
La la la la laiá la la la la laiá la
La la la la laiá la la la la laiá la
E diga sim
A quem nos quer acolher
Mas se for pra nos prender
Diga não.

VALEU IR. DOROTHY STANG!!!!!